segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Liberdade!


Quem é você? Você já se fez esta pergunta alguma vez na vida? Já tiveram acontecimentos em sua vida que veio de confronto a ti? Houve momentos que sua vida ficou paralisada em questões profundas que afetasse sua maneira de agir e pensar?
Pois é meus caros amigos que seguem este blog, estive lendo esses dias um livro chamado "Quem me roubou de mim?" que fala sobre o sequestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa. Ser pessoa é uma coisinha complicada não é tão simples assim...e ao mesmo tempo é realizando coisas simples que nossa vida entra numa certa forma, em um certo caminho. Mas não quero ditar formas e nem parâmetros aqui neste texto quero só compartilhar algumas partes que me chamaram atenção.

Liberdade é semelhante a um talento. A conquista da liberdade se dá no mesmo processo do "tornar-se pessoa".
A árvore é ato, mas é cadeira em potência, da mesma forma como pode ser também uma mesa.
Essência é o fundamento que gera a realidade, isto é, que a faz ser o que é. A essência dá identidade ao ser.
A liberdade é considerada a partir do dom que se concretiza aos poucos, por meio do esforço humano. Apesar de livres, ainda não somos totalmente o que somos, isto é, somos livres mas ainda experimentamos prisões em nossa vida.
É por isso que podemos nos compreender como realidades processuais, isto é, estamos em constante processo de feitura. O ser humano se constrói aos poucos. Tudo ja esta nele, mas é preciso conquistar-se, alcançar a essência, caso contrário, corre-se o risco de morrer sem ter chegado ao que essencialmente se é.
Cada ser humano, ao seu modo e tempo, vive esta aventura de desvendar-se.
A liberdade é elemento constitutivo do humano; é estatuto condição, mas precisa ser considerada como dom que se desdobra na tarefa.
Parece estranho, mas é simples. A liberdade que há em nós precisa ser libertada. Assim como a semente condensa todas as possibilidades da árvore que um dia virá, também o ser humano condensa em si inúmeras possibilidades que dependerão de atos que as desencadearão. A semente já é arvore, mas em potencial.
A liberdade esta para o ser humano assim como a semente esta para a arvore. É potência. É vocação, mas é também luta e empenho.
Existe a liberdade eletiva que é liberdade de toda hora. São as respostas para perguntas mais simples. Aonde eu vou? Que roupa usarei?
Temos a liberdade entitativa que é mais profunda. São as respostas para perguntas mais fundamentais. O que tenho feito da minha vida?
O interessante é perceber que essas duas formas de liberdade estão naturalmente entrelaçadas. A liberdade mais profunda é construída o tempo todo no exercício das pequenas escolhas. Aqui esta uma chave que vale a pena levarmos conosco. Ela nos abrirá muitas portas.
Quando fico atento as escolhas mais simples, aquelas que a todo momento eu realizo na minha história, de alguma forma ja posso saber se estou aprisionado ou se estou libertando a minha liberdade fundamental. Se nas circunstancias da existência faço escolhas que confirmam a minha liberdade fundamental, estou livre de fato. Estou regando bem a minha semente, para que ela se transforme na árvore que traz dentro de si.
A liberdade fundamental é uma escultura belíssima que todos nós trazemos cravada no mais profundo de nossa condição humana.
A experiencia humana nos ensina que o amor condensa o poder de fazer o outro ser livre. Amar é assumir a responsabilidade de viabilizar o florescimento da liberdade fundamental que há no outro.
Só o amor faz ser livre, porque ele quebra os cativeiros que nos aprisionam. Não podemos acreditar no amor de quem e do que nos aprisiona e nos mantém em cativeiro.
O amor verdadeiro é o amor que faz ser livre, que faz ir além, porque não ama para reter, mas para promover. Amor e liberdade são duas vigas de sustentação para qualquer relação que pretenda ser respeitosa.
Se Deus nos fez livre, o amor de quem nos encontrar pela vida não pode ser contraditório ao amor que nos originou. O outro que acabou de chegar não tem o direito de se tornar obstaculo para "Aquele" que nos sustenta em nossa condição primeira.
Se quiser nos amar, se quiser fazer parte de nossa vida, terá que ter diante dos olhos o que somos, o que ainda podemos ser, e não o que ele gostaria que fossemos. O amor só acontece quando deixamos de imaginar. Só a realidade autentica o amor, demonstra sua verdade.
É o amor humano de Deus, manifestado em minha vida pela força de pessoas concretas, cheias de voz e de gestos.
Porque o amor é um tipo de lente que amplia nossa autopercepção. Se não somos amados, corremos risco de sermos roubados de nós.
Creio que sempre é tempo de abrir cativeiros. Ou para que o outro saia ou para que nós saiamos. Humanidade é processo a ser construído. Somos mais humanos a medida que somos livres, resgatamos os cativos e lhes devolvemos o direito de serem livres também. Promover a liberdade, defender e propagar a força da linguagem simbólica é uma forma interessante de traduzir o evangelho nos dias de hoje. Há muitos cativeiros a serem abertos. Há muitas prisões pra serem quebradas. Preconceitos, visões apressadas, conceitos distorcidos, desumanizações em nome de Deus, cativeiros em nome do amor. Gente dominada, sem vontade própria, entregue aos domínios dos diabólicos de plantão.
Perguntas são sempre bem vindas na vida de quem cresce. Há perguntas que não precisam ser respondidas com pressa. Elas pertencem ao mundo da reflexão que não para. São perguntas que possuem o dom de fertilizar o plantio que somos nós.
Será que você ja foi capaz de pagar o resgate de alguém? Com sua palavra, com sua atitude, com seu jeito de viver?
Sejam quais forem as respostas, não tenha medo delas. Mais vale uma verdade amarga que tenha o poder de nos fazer crescer do que uma mentira adocicada que nos mantenha acorrentados no cativeiro da ignorância. Hoje é dia de resgaste. A porta ja foi aberta. É só sair.

Lendo este livro fui confrontado algumas vezes. Já houve sim momentos em minha vida que me senti preso. Mas teve um dia que entendi que tenho em minhas mãos poder e autoridade para mudar a minha vida. Não posso viver uma vida para agradar as pessoas. Entendi que sou livre para ser livre. Minha história é única e para caminhar novos caminhos é preciso ser livre e não preso de opiniões publicas que por mais doces, não são verdades para nós.
Liberdade está impresso em nosso caráter sempre. é preciso vivermos livre.

Livro "Quem me roubou de mim?" Fabio de Melo!

V.L